Textos #4 - Outro poema...
Sem rumo
Teu olhar me desnorteia
Teu sorriso me derrete
Teu falar me desconcentra
Teu andar me desconcerta
Tua presença me alegra
Tua ausência me entristece
Tua chegada me anima
Tua partida me deprime
Teu perfume me inebria
Tua boca me convida
Tua alva pele me atrai
Teu jeito me maravilha
Tua existência me completa
Eu não sei o que faria
Caso tu não existisses
Eu ficaria sem rumo
Notas #7 - O mais novo supergrupo
Supergrupo é uma designação que surgiu no mundo do rock na década de 1960, para "grupos musicais cujos membros já haviam alcançado previamente fama e respeito no cenário musical, com outras bandas ou em carreira solo". No artigo sobre "supergrupo" na Wikipedia (de onde tirei a definição...), há uma lista com dezenas deles. Exemplos recentes são o Audioslave e o Velvet Revolver, ambos de hard rock e já desfeitos. Pois em 2009 surge o mais novo supergrupo, dessa vez de power pop: Tinted Windows. Formado por Taylor Hanson (Hanson) nos vocais, James Iha (Smashing Pumpkins) na guitarra, Adam Schlesinger (Fountains of Wayne) no baixo e Bun E. Carlos (do lendário Cheap Trick) na bateria, o grupo promete lançar seu álbum de estreia dia 21 de abril. Já tem site oficial, página no MySpace, breve perfil no site da revista Rolling Stone...nos três, é possível ouvir a primeira música deles, "Kind of a Girl". É boa, mas nada de excepcional: lembra coisas do chamado "Disney rock", como Jonas Brothers (isso indica que algo do "Disney rock" é bom, e não que Tinted Windows é ruim), e além disso, só o Hanson sozinho tem umas 10 ou 15 músicas melhores que essa. Sem falar quase que na discografia toda do Cheap Trick, hehehe...
Cenas musicais #4 - "Way Back Into Love" em "Letra e Música"
Oscar #3 - Vencedores 2009
A lista dos vencedores, abaixo:
Melhor filme
Quem Quer Ser um Milionário?
Melhor diretor
Danny Boyle (Quem Quer Ser um Milionário?)
Melhor atriz
Kate Winslet (O Leitor)
Melhor ator
Sean Penn (”Milk - A Voz da Igualdade”)
Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
Melhor ator coadjuvante
Heath Ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas)
Melhor roteiro original
Milk - A Voz da Igualdade
Melhor roteiro adaptado
Quem Quer Ser um Milionário?
Melhor filme em língua estrangeira
“Departures” (Japão)
Melhor animação
Wall-E
Melhor curta de animação
La Maison en Petits Cubes, de Kunio Kato
Melhor documentário
Man on Wire, de James Marsh e Simon Chinn
Melhor documentário em curta-metragem
“Smile Pinki” (Megan Mylan)
Melhor trilha sonora original
A. R. Rahman (Quem Quer Ser um Milionário?)
Melhor canção original
“Quem Quer Ser um Milionário?” (”Jai Ho”)
Melhor direção de arte
“O Curioso Caso de Benjamin Button” (Donald Graham Burt e Victor J. Zolfo)
Melhor fotografia
“Quem Quer Ser um Milionário?” (Anthony Dod Mantle)
Melhor edição
“Quem Quer Ser um Milionário?” (Chris Dickens)
Melhor mixagem de som
“Quem Quer Ser um Milionário?” (Ian Tapp, Richard Pryke e Resul Pookutty)
Melhor edição de som
Batman - O Cavaleiro das Trevas (Richard King)
O Curioso Caso de Benjamin Button (Eric Barba, Steve Preeg, Burt Dalton e Craig Barron)
Melhor maquiagem
O Curioso Caso de Benjamin Button (Greg Cannom)
Melhor figurino
“A Duquesa”
Melhor curta-metragem
“Spielzeugland” (Toyland) - Jochen Alexander Freydank
Filmes no cinema #7 - "O Lutador"
Mickey Rourke e Darren Aronofsky. Esses dois homens são a base insubstituível de "O Lutador"; o resto pode perfeitamente ser trocado sem comprometimento. Mas seu ator principal e diretor são o filme. O trabalho dos dois se sobressai de tal modo que o filme simplesmente não existiria se não fosse a presença dos dois.
Mickey é Randy 'The Ram' Robinson ("The Ram" = carneiro), um lutador de boxe que viveu seus dias de glória nos anos 80, e que atualmente encontra-se em total decadência: durante a semana, trabalha num supermercado, nas mais variadas funções, desde carregador de caixas a atendente no balcão de frios. Nos finais de semana, participa de eventos de luta livre, nos quais é sempre a estrela principal. Tais eventos rendem apenas algum pouco dinheiro para ele, e a sensação de estar de volta ao passado: as lutas são de exibição; os golpes, mesmo que de verdade, são todos combinados previamente nos bastidores. Randy é um homem solitário: vive num trailer, tem uma filha que o odeia (Evan Rachel Wood) e a única mulher presente em sua vida é a stripper Cassidy (Marisa Tomei, no esplendor da forma física aos 44 anos), que já é chamada de mãe por alguns dos jovens que frequentam o local onde trabalha.
Eis que então ocorre uma reviravolta: certo dia, logo após uma dessas lutas de fim de semana, ele sofre um infarto. Causado pela idade, pelo esforço que ele fazia mas, principalmente, pelo uso intenso de anabolizantes que ele fazia, isso causa um impacto em sua vida: o médico diz que ele nunca mais poderia lutar. O problema disso é que, segundo o próprio Randy no filme, é só isso que ele sabe fazer... No entanto, tenta obedecer a ordem médica (em grande parte por causa de uma cena na qual está num evento cheio de veteranos como ele, e vê o estado deplorável no qual os outros se encontram, e decide que não quer isso para ele), e busca apoio em Cassidy e na sua filha: começa a se construir uma óbvia relação de amor entre Randy e Cassidy, e sua filha e ele começam uma reconciliação.
Porém, Randy mostra porque entrou em decadência ao estragar tudo que começou a reconstruir com a filha, e não aguenta mais ficar longe das lutas, e decide aceitar a proposta de uma revanche de sua mais memorável luta, 20 anos depois, mesmo sabendo dos riscos que corre. Assim, chega-se ao magistral clímax do filme: a entrada triunfal de Randy ao som de "Sweet Child O' Mine", com a bandeira dos EUA ao fundo (mais anos 80, época de ouro do lutador, impossível!), o discurso antes da luta começar de Randy/Mickey Rourke (cena que vale o ingresso e todos os elogios e prêmios à Rourke) e o sensacional final com o "Golpe final do Carneiro", que é como Randy termina todas as suas lutas durante a projeção.
O filme, apesar de ser extremamente clichê, por mostrar o típico perdedor que quer se reerguer, mas tem dificuldades, além de ter roteiro excessivamente linear, com personagens previsíveis como Cassidy, consegue ser muito bom graças à Rourke e Aronofsky: o ator está simplesmente perfeito, e o diretor idem. Mickey Rourke já tem 56 anos, e foi uma grande revelação de Hollywood nos anos 80, mas deixou se deslumbrar pelo sucesso, acabou se afundando em drogas, virou ele próprio um lutador, que deixaram visíveis marcas em seu rosto e corpo, mesmo após cirurgias plásticas. Logo, Randy é praticamente um auto-retrato seu. Aronofsky faz aqui seu primeiro filme mais, digamos, comum, depois de filmes como "Pi", "Réquiem para um Sonho" e "Fonte da Vida". Além de um estilo de filmagem que sempre "segue" a personagem, com a câmera sempre mostrando as costas e, consequentemente, o seu ângulo de visão da situação, o diretor consegue fazer uma história que tinha tudo para ser melodramática e piegas ser algo que vale a pena ser visto. A cena que destaco é a de Randy indo para o balcão do supermercado, enquanto no fundo ouve (ouvimos) gritos da plateia, como se estivesse prestes a entrar num ringue. Fantástico.
Como está na matéria de Isabela Boscov na Revista Veja da semana passada: "Aronofsky contratou Rourke com uma bronca de franqueza brutal. Enfiou o dedo na cara do ator, disse que ele virara uma piada, que estava correndo um risco insensato porque não conseguia levantar um tostão de financiamento assim que o nome dele era mencionado, e avisou que exigiria obediência e dedicação incondicionais. Como não há nada que Rourke respeite mais do que uma demonstração de valentia, o acordo foi firmado." "Entre o ‘ação’ e o ‘corta’, não existe um ator mais imenso no mundo. O difícil é levar Mickey até lá. Depois de duas tomadas, ele já está perguntando se não pode ir para casa. O caso é que essas duas tomadas são ótimas – mas as que vêm depois são magníficas. Mickey é um ator que precisa ser inspirado e pressionado, porque é um preguiçoso", brinca, mas não muito, Aronofsky." Ou seja, o diretor foi o responsável por fazer Rourke renascer das cinzas. E as chances dele levar o Oscar 2009 de melhor ator por esse filme são imensas.
Outra coisa que faz o filme ser muito bom é sua trilha sonora: já falei algumas vezes por aqui sobre metal farofa, glam metal e essas coisas, e só há músicas desse gênero no filme! Para quem curte, como eu, o filme é um prato cheio! Bandas como Cinderella, Ratt e Firehouse marcam presença em muitos momentos. Os ídolos de Randy são os Guns N' Roses! Guns que estão ligados ao filme de maneira intensa: Slash é quem toca as guitarras na trilha sonora instrumental do filme, composta por Clint Mansell, velho colaborador de Aronofsky; quem ficar até o final dos créditos verá que a última frase que aparece na tela é algo como "o elenco e a equipe do filme gostariam de agradecer especialmente à Axl Rose". Por quê? Aronofsky explica: "Bem, nós tocamos 'Sweet Child O' Mine' umas trezentas ou quatrocentas vezes durante as filmagens. Mickey é muito amigo de Axl, e Axl foi essencial para nos garantir 'Sweet Child O' Mine' para o clímax do filme.". Por fim, o melhor diálogo do filme está relacionado à banda (em tradução livre minha, veja o original aqui):
Randy: - Caramba, eles não as fazem mais como faziam antes.
Cassidy: - Os anos 80 foram foda, a melhor porra que já teve!
Randy: - Isso! Guns N' Roses! Eles são o máximo!
Cassidy: - Crue! (Mötley Crue)
Randy: - Yeah!
Cassidy - Def Lep! (Def Leppard)
Randy: - Aí, aquela bicha do Cobain teve que aparecer e estragar tudo.
Cassidy: - Como se houvesse algo errado, por que não se divertir, apenas?
Randy: - Vou te dizer, eu odeio a porra dos anos 90.
Já falei algo sobre o assunto no post sobre o Bon Jovi, mas o fato é que a chegada do Nirvana, de Kurt Cobain, varreu do mapa todas as bandas de metal farofa que existiam no planeta, por isso a revolta. Para Randy, em especial, essas bandas trazem à tona as memórias do seu auge como lutador, e os anos 90 foram sua derrocada.
Para saber mais sobre a famosíssima rivalidade entre Axl Rose e Kurt Cobain, que rendeu momentos surreais durante o VMA de 1992, leia esse texto em português, ou esse, de Krist Novoselic, baixista do Nirvana.
Notas #6 - Rock 'n' Roll "rima" com futebol!
Começo falando sobre o campeonato que a MTV brasileira criou em 1995, que reunia os músicos das principais bandas roqueiras do país para disputar peladas entre si: o Rockgol. No começo, era algo beeeem tosco. A célebre cena que retrata essa fase é a do Peninha, do Barão Vermelho, perdendo sua dentadura (!). Nas duas primeiras edições, podiam participar também ex-jogadores veteranos e roadies. Depois, tudo foi crescendo, ficando melhor estruturado: só foi permitida a participação de músicos, o campeonato foi sendo organizado em grupos, o "estádio" foi melhorando. No entanto, a decadência começa em 2000, quando a MTV tentou se popularizar, e isso resultou no convite para bandas como Os Morenos, Só Pra Contrariar e a dupla Claudinho & Buchecha para participar do evento. Mais peladeiros que os roqueiros, venceram os campeonatos. A MTV desistiu de se popularizar: não chamou mais pagodeiros. Só que aí as bandas principais do país já haviam abandonado o Rockgol, tendo sobrado apenas as do segundo escalão pra baixo, como Tihuana, Comunidade Nin-Jitsu e o Natiruts. Ainda assim, o campeonato continuou interessante, por ser bizarro e engraçado, graças às narrações de Paulo Bonfá e os comentários de Marco Bianchi, ex-integrantes do trio de humor Os Sobrinhos do Ataíde, que ficou no ar em São Paulo na antiga 89FM - A Rádio Rock nos anos 90. Eles, além de narrarem com humor, criaram personagens que ninguém esquece como Ovelha, Seo Ronaldão e Chiliquenta. A partir de 2005, porém, o campeonato foi se tornando repetitivo, sempre com as mesmas piadas. Em 2007, se renovou, mas para pior: entraram as bandas emo! NXZero, Fresno, Forfun...Todas essas porcarias que os adolescentes brasileiros hoje curtem. Perdeu a graça, acabaram as bandas relevantes do rock nacional, fim dos personagens - ok, pode ser que eu tenha ficado velho demais para isso... =).
O Rockgol, além de momentos engraçados e audiência para a MTV, gerou uma das parcerias mais importantes do rock brasileiro dos anos 90 até hoje: Samuel Rosa, do Skank, e Nando Reis, ex-Titãs, se conheceram numa dessas competições, mais precisamente no ano de 1995. No calor da disputa de uma partida, acabaram tendo a ideia de compor uma música sobre futebol, juntos. Samuel é ótimo compositor de melodias (bom guitarrista e razoável vocalista), e Nando é ótimo letrista. Juntaram suas habilidades e fizeram "É Uma Partida de Futebol", que ainda é massivamente tocada e é quase unanimidade quando se pensa em futebol e rock ao mesmo tempo. A parceria deu tão certo que dura até os dias atuais: passou pela primeira sinalização de mudança do Skank, "Resposta", continuou em "Ali", "Dois Rios" e "Eu e a Felicidade", entre outras dos discos subsequentes do Skank, e chegou ao penúltimo single da banda, "Ainda Gosto Dela", e gerará ainda muitos sucessos, como por exemplo o que acho que será a próxima música do Skank a estourar nas paradas: "Sutilmente".
No mundo todo, o rock se confunde com o futebol: em 2003, a música "Seven Nation Army", do duo White Stripes (mais especificamente seu marcante riff de guitarra, que é quase um refrão instrumental), foi cantada pela primeira vez num estádio de futebol no jogo FC Bruges e AC Milan, pela Liga dos Campeões da UEFA. Depois, no jogo entre AS Roma e Club Brugge, pela Copa da UEFA, os romanos entoaram mais uma vez a canção. Ela só se popularizou planetariamente em 2006, quando os italianos a usaram na comemoração de seu tetracampeonato na Copa do Mundo, cantando "Campioni del Mondo" em cima do riff. Depois, virou hino não-oficial da Eurocopa de 2008, sendo utilizada por torcidas de toda a Europa para incentivar seus times: alemães, espanhóis , suecos... Rapidamente, a música começou a se espalhar por diversos estádios: a torcida do Liverpool canta "Javier Mascherano" em cima do riff; a do Chelsea, "Juliano Belletti"; a do Porto, "Mariano González". Torcedores do australiano Melbourne Victory entoam o riff sempre depois que a equipe faz um gol...Procurando pelo YouTube, é capaz de achar mais exemplos. Até no Brasil essa onda chegou: "Seven Nation Army" ganhou paródia da torcida do Internacional de Porto Alegre.
Agora, o pior da junção de rock e futebol ocorre quando há a homenagem dos pais a seus ídolos. Isso acontece na hora do batismo de seus rebentos, que se tornam conhecidos como jogadores e expõem nomes absurdos como Keirrison, atual atacante do Palmeiras, que segundo o próprio em entrevista à Veja São Paulo dessa semana, falou que seu pai gosta muito da letra K e de rock, e resolveu homenagear...George Harrison, ex-guitarrista dos Beatles!! Keirrison ainda tem um irmão chamado Kimarrison (a letra favorita do pai + Jim Morrison, ex-líder do The Doors). Outro caso que ficou muito famoso há alguns anos foi o de uma jovem revelação do Guarani na época, hoje com 29 anos e no Santa Cruz. Ele se chama simplesmente...Creedence Clearwater Couto! Tudo porque seu pai era muito fã da banda Creedence Clearwater Revival. Já ouviram falar também no jogador Odvan, que jogou muitos anos no Vasco, não? Seu nome é derivado de uma música do Roberto Carlos que sua mãe gostava muito, chamada..."O Divã"!!! Ah, e para quem reclamar que "O Rei" não é rock: no final dos anos 50, ele já foi chamado por Carlos Imperial de "Elvis Presley brasileiro", e cantava sucessos como "Tutti Frutti", "Teddy Bear" e outros mais, viu?
UPDATE: acabei de descobrir que há uma banda de Manchester, Inglaterra, que se chama...Vagner Love!! Incrível... Para saber muito mais sobre eles, e até o que o atacante do CSKA Moscou, revelado pelo Palmeiras, acha disso, clique aqui. Para ouvir algumas músicas do grupo, que diz ser uma mistura de Teenage Fanclub com Oasis (já falei de ambos no blog...!), vá ao MySpace deles.
Aviso...
Cenas musicais #3 - "Flame Trees" em "Sob o Efeito da Água"
Além da dura crueza das suas verdades, o filme tem duas belíssimas cenas, todas embaladas por uma música que eu desconhecia. Aí, ficando sozinho até o fim da sessão, com o pessoal da limpeza do cinema esperando eu sair para poder entrar, li os créditos e descobri que a música se chama "Flame Trees", e que é de 1984. Chegando em casa, busquei na internet tal canção, e descobri que ela é da banda australiana de hard rock/rock 'n' roll Cold Chisel - nunca tinha ouvido falar... Bem, tal banda ficou em atividade entre 1973 e 1984, tendo voltado brevemente em 1998 para fazer uma música e depois em 2003 para uma turnê chamada "Ringside". Seus maiores hits (aliás, melhores músicas, aquelas que realmente valem a pena serem ouvidas) são "Flame Trees", "Khe Sahn", "Saturday Night", "Choir Girl" e "Bow River". A marcante voz do vocalista, Jimmy Barnes, me lembra bastante a de John Fogerty, do Creedence Clearwater Revival.
Porém, no filme não é ouvida a versão original da música: numa das cenas, a mais emocionante, ouve-se o coral infantil da The Sacred Heart School, da cidade de Cabramatta, numa versão bem diferente, mas até melhor que a do Cold Chisel. Na cena final, ouve-se a cantora Sarah Blasko fazendo uma versão que no filme soa adequada, mas que fica extremamente chata se ouvida isoladamente...
Abaixo, a cena na qual o coral das crianças canta, e ainda um link para baixar 5 versões de "Flame Trees": além das 3 citadas no texto, uma tocada ao vivo durante a turnê "Ringside", e outra uma linda versão acústica lançada em 1994 no disco "Flesh and Wood", de Jimmy Barnes.
Download das músicas: http://www.4shared.com/dir/12019730/b549225a/Flame_Trees.html
Artista famoso - Alanis Morissette; Artista "desconhecido" - The Corrs
Alanis Nadine Morissette é uma cantora e compositora canadense, nascida em Ottawa no dia 01 de junho de 1974, que já ganhou 7 Grammys e 12 Juno Awards (premiação para a música do Canadá). Começou a carreira mais cedo do que a maioria sabe, e, ao contrário do que a maioria pode pensar, ainda não a encerrou...Aos 6 anos de idade, Alanis começou a ter aulas de piano. Aos 7, já sabia tocar o instrumento, bem como dançar balé, e manifestava seu talento para as artes. Aos 9 anos, Morissette compôs sua primeira música, "Fate Stay with Me", que foi mandada para uma cantora de folk local, Lindsay Morgan, que adotou Alanis como sua protegida. Morissette lançou a canção como um single por um selo fundado por ela e Morgan. Em 1986, ela estava no elenco do programa da CTV/Nickelodeon, You Can't Do That on Television.
Em 1988, assinou contrato com a gravadora MCA Records, pela qual, em 1991 (aos 16/17 anos, portanto), lançou seu primeiro álbum de estúdio, Alanis. Com todas as músicas compostas por ela e seu produtor, Leslie Howe, o disco foi lançado apenas no Canadá, onde vendeu 200.000 cópias, sendo um sucesso: ela chegou a abrir shows de Vanilla Ice! Foi indicada a 3 Juno Awards, saindo vencedora na categoria "revelação"; os outros dois que ela perdeu são referentes à canção hit do álbum, "Too Hot" ("single do ano" e "melhor gravação dance"). É um álbum de dance-pop, algo bem diferente do que ela viria a fazer no restante de sua carreira.
Em 1992, sai seu segundo álbum de estúdio, Now Is The Time. Mais uma vez, o disco foi lançado apenas no Canadá, mas não obteve o sucesso de seu antecessor: vendeu apenas 50.000 cópias. Com músicas que já não eram mais tão dance assim, já começava a esboçar a brusca mudança que ocorreria e a faria conhecida no mundo todo. Após cumprir o contrato de 2 discos com sua gravadora e com o insucesso de seu disco, ela foi dispensada. Mas lembre-se, Alanis ainda é jovem: no fim do ano, se formou no ensino médio...
Em 1993, muda-se de Ottawa para Toronto, onde começa a viver sozinha pela primeira vez na vida. Faz também viagens regulares a Los Angeles, nos EUA, para procurar músicos para colaborar com ela. Então, conhece Glen Ballard, um produtor e compositor. Alanis e Ballard rapidamente se identificam e começam a compor juntos o que viria a se tornar, em 1995, Jagged Little Pill - cuja tradução para o português é "aquele risquinho que existe no meio das pílulas". O álbum saiu pela gravadora Maverick Records, da qual Madonna é uma das fundadoras. Vendeu nada menos que 30 milhões de cópias pelo mundo todo (metade disso nos EUA), foi indicado a 8 Grammys entre 1996 e 1997 (dos quais ganhou 4, em 1996 - "melhor performance de rock feminina", "melhor composição de rock" ,"melhor álbum de rock" e "álbum do ano"), 9 Juno Awards (ganhou 8) e fez de Alanis a maior estrela do rock mundial, aos 21 anos.
O primeiro single já foi uma porrada: "You Oughta Know", com a participação do então guitarrista do Red Hot Chili Peppers Dave Navarro e do inconfundível baixista da banda até hoje, Flea, a letra e música da canção expõem toda a raiva da cantora contra um ex-namorado seu, que a trocou por outra, de forma bastante explícita (em trechos como "ela faria um boq**** em você num cinema?" ou ainda "você pensa em mim quando f**e ela?"). Depois desse, seguiram-se outros singles de sucesso enorme, como "Hand In My Pocket" e suas antíteses, "Ironic" - cujo clipe ganhou duas versões, uma com a Alanis mesmo, outra com uma "cover infantil" dela, o qual não achei na internet...=(- e sua explosão inesquecível no refrão, a mais alegre "You Learn" e a cheia de gaita "Head Over Feet", com o marcante clipe "a cara da Alanis". Marcado por muito desabafo, de certa forma comum à jovens de sua idade, Morissette rapidamente achou ouvidos que se identificaram com ela, e virou fenômeno. Tanto que ela foi precursora de inúmeras cantoras de rock que vieram depois dela, como por exemplo Pink e Avril Lavigne, além de ter aberto portas para outras cantoras que não especificamente de rock, como a Shakira (no começo, era mais música e menos dança-espetáculo, lembrem-se). Seguiu-se uma exaustiva turnê, na qual seu baterista era Taylor Hawkins, que mais tarde se juntaria ao Foo Fighters.
O documentário sobre a turnê, Jagged Little Pill, Live, rendeu à Alanis mais um Grammy, em 1998, na categoria "melhor longa metragem". Devido ao sucesso tremendo, Alanis foi convidada para compor uma música para a trilha sonora de um dos filmes mais tristes que conheço ("Cidade dos Anjos", de 1998): "Uninvited". A canção nunca foi lançada como single, nem em nenhum álbum da cantora, mas é até hoje um de seus grandes hits. Ganhou dois Grammy em 1999: "melhor performance de rock feminina" e "melhor composição de rock".
Acabada, Alanis vai tirar umas férias na Índia, onde acaba por passar também por uma espécie de "retiro espiritual". Eis então que, em 1998, depois de ficar mais zen, a cantora lança Supposed Former Infatuation Junkie disco menos simples que o anterior, mas mesmo assim muito bom: músicas longas, muitas sem refrão, com boas melodias e letras. Há mais variação no estilo das músicas, temos desde mais pesadas como "Baba" e "So Pure", até músicas bem mais calmas, que refletem sua nova fase, como "That I Would Be Good" e o único grande sucesso mundial que saiu desse disco, "Thank U". O álbum vendeu 11 milhões de discos, mas tirou Alanis do topo, como era inevitável, aliás.
Em 1999, decide gravar um precoce Acústico MTV, no qual obviamente só constam músicas a partir de Jagged Little Pill. O disco tem 12 canções, sendo 4 de cada um dos dois álbuns (contando "Uninvited" como sendo de Supposed, por ser da mesma época) e mais 4 gravações inéditas, sendo que coloquei duas na minha seleção: a melhor das novas, "Princes Familiar", e outra que é uma cover da banda de Sting, The Police, "King Of Pain" (ouça a original). Alanis Morissette começa a ficar irrelevante no mundo da música.
Depois de três anos sumida, reaparece em 2002, com o disco Under Rug Swept. Pela primeira vez, Alanis conpunha todas as canções sozinha e ainda era produtora de um álbum. A crítica recebeu-o de forma irregular: uns gostaram, outros não. Eu não gosto, acho um disco bem chatinho, com letras ruins e melodias repetitivas. No entanto, acho que "Hands Clean" é a música mais legal que a cantora já fez na sua carreira, e "Precious Illusions" também é boazinha, figurando na minha seleção. O disco vendeu muito bem, obrigado - 7 milhões de cópias -, mas principalmente graças a fãs antigos do que a novos.
No mesmo ano de 2002, saiu um pacote CD/DVD chamado Feast on Scraps. O CD tinha apenas lados-B dos singles de Under Rug Swept, ou então músicas que ficaram de fora do disco. O destaque fica por conta da bela "Offer", que fez muito sucesso no Brasil graças à sua inclusão na trilha sonora da novela "Celebridade". O DVD contém um show da cantora, com seus maiores sucessos.
Em 2004, sai o disco So-Called Chaos, uma tentativa de volta ao passado, isto é, músicas mais simples e diretas, com uma pegada mais roqueira do que vínhamos ouvindo. O resultado é um disco razoável até, com músicas boas como "Eight Easy Steps" e a densa balada "Everything". Acontece que, se posto lado a lado com Jagged Little Pill, o disco perde de goleada. Como a comparação é inevitável, Alanis Morissette passa ao quase ostracismo com esse disco, virando praticamente uma ex-artista que canta seus sucessos do passado...
Confirmando o que eu falei acima, em 2005 ela lança Jagged Little Pill Acoustic, com todas as músicas do disco de 1995 gravado em versões acústicas, para comemorar seu décimo aniversário de lançamento. Vendeu 1 milhão de cópias. No mesmo ano, sai a coletânea The Collection, cuja novidade é o cover "Crazy", originalmente de Seal, feito para a trilha sonora do filme "De-Lovely - Vida e Amores de Cole Porter". Vendeu 1 milhão de cópias. Ainda em 2005, Alanis compõe a canção "Wunderkind" para a trilha sonora do filme "As Crónicas de Nárnia - O Leão, a Bruxa e o Guarda-Roupa", que lhe rendeu uma indicação para o Globo de Ouro.
Some da mídia após isso. Reaparece numa brincadeira de 1º de abril em 2007, ao apresentar no YouTube uma versão debochada e irônica para a música "My Humps", do Black Eyed Peas de Fergie. Então, em meados de 2008, lança Flavors of Entanglement, álbum no qual volta a fazer o que fez em Under Rug Swept, porém com um pouco mais de experimentalismo eletrônico. Claro, tem hits que grudam na primeira ouvida ("Underneath") e uma música que é só piano e voz ("Not as We"), mas ainda assim é chatinho que nem o outro. Até agora, o disco conseguiu vender 1 milhão de cópias.
Ela já veio ao Brasil diversas vezes, sendo a primeira delas em 1996, e a última na semana passada. Em 2009, ela fez 11 shows por aqui, sendo que a turnê passou por cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, mas também Teresina e Manaus. Que me perdoem os moradores dessas cidades, mas só artistas internacionais decadentes vão fazer shows lá. Ah, e os melhores momentos dos shows ocorreram quando ela cantou as músicas de Jagged Little Pill...
CD
1- You Oughta Know
2- Hand In My Pocket
3- You Learn
4- Head Over Feet
5- Ironic
6- Uninvited
7- Thank U
8- That I Would Be Good
9- So Pure
10- Joining You
11- Princes Familiar
12- King Of Pain
13- Hands Clean
14- Precious Illusions
15- Offer
16- Eight Easy Steps
17- Everything
18- Underneath
19- Not as We
Sua primeira apresentação de sucesso foi no The Late Late Show, na época apresentado por Gay Byrne, em 1993, executando a canção "Runaway" (que viria a constar do primeiro álbum de estúdio da banda). Apesar disso, eram praticamente desconhecidos fora da Irlanda até 1994, quando o embaixador estadunidense no na Irlanda, Jean Kennedy Smith, convidou o grupo a se apresentar em Boston, na Copa do Mundo de 1994. Depois dessa apresentção na Copa, Jason Flom, vice-diretor e produtor da gravadora Atlantic Records, falou para eles marcarem um encontro com David Foster, um músico canadense, produtor, compositor e arranjador. Os Corrs tocaram para ele e Foster concordou em propor-lhes um contrato com a Atlantic Records. Ficaram por mais cinco meses nos EUA para preparar o álbum de estreia.
Então, perto do fim de 1995, sai o primeiro álbum da banda, Forgiven, Not Forgotten. A já citada "Runaway" é o principal destaque, sem dúvida. Além dela, ainda temos a faixa-título e suas belas harmonias vocais, e a instrumental "Toss The Feathers", a melhor instrumental que a banda já lançou até hoje. Nesse disco, temos seis faixas instrumentais, e todas as que os Corrs fazem são de total influência celta, nada de pop há nelas. O disco não foi um grande sucesso, mas tirou a banda do desconhecimento: em 1996, foram chamados para tocar nas Olimpíadas de Atlanta, e depois disso se juntaram à Céline Dion para fazer os shows de abertura de sua turnê.
Eis então que, em 1997, se juntam a Glen Ballard (é, o mesmo produtor que fez explodir Alanis Morissette, como está escrito linhas acima) e lançam o sensacional Talk On Corners. Começando a deixar suas influências celtas um pouco mais de lado e apostando mais no pop, os Corrs fazem o disco que, simplesmente, foi o mais vendido do Reino Unido no ano de 1998. No entanto, o caminho para chegar lá foi tortuoso: o álbum saiu em outubro de 1997, e os três primeiros singles ("Only When I Sleep", com um forte quê de sensualidade nos vocais de Andrea, "I Never Loved You Anyway" e a graciosa "What Can I Do?") foram sucesso só na Irlanda. Então, em 17 de março de 1998, dia de St. Patrick, ocorreu a virada na carreira deles: um concerto no Royal Albert Hall, televisionado pela BBC, no qual o ex-baterista do Fleetwood Mac, Mick Fleetwood, participou de três canções, incluindo "Dreams", de sua banda original. Essa versão foi o "empurrãozinho pro sucesso" ao The Corrs: lançada pouco tempo depois como single, chegou ao top 10 na Inglaterra, resultou num remix que fez mais sucesso ainda e transformou os Corrs nas novas estrelas da música britânica. Claro, as comparações com o Fleetwood Mac tornaram-se mais insistentes por parte da imprensa, a qual também transformou as três irmãs da banda em musas, ao ponto de ter transformado Andrea num verdadeiro símbolo sexual por lá (ok, ela é bonita mesmo...). Talk On Corners foi relançado incluindo "Dreams" em versão de estúdio e re-relançado novamente depois, incluindo remixes de "What Can I Do?" e "Runaway" - esta, do primeiro disco - que também chegaram ao top 10. Outro single de sucesso foi "So Young", e ainda o álbum tem a bela história de "Queen of Hollywood".
Apesar de todo o sucesso, a banda ainda não havia conseguido um primeiro lugar na parada britânica de singles. Isso viria apenas em 2000, com o lançamento do álbum In Blue. A música a conseguir tal feito foi "Breathless", composta pelos Corrs em parceria com "Mutt" Lange (produtor de In Blue), produtor famoso nos anos 80 por produzir diversas bandas de hard rock como AC/DC e nos anos 90 por produzir Come On Over, álbum de sua mulher, a cantora de country Shania Twain. Outra música boa do álbum que é apenas regular é "All the Love in the World", que seria adotada posteriormente na trilha sonora do filme "Os Queridinhos da América", em 2001. Merece destaque também "No More Cry", composta por Andrea e Caroline para ajudar seu pai a superar a morte da esposa (e mãe dos 4 irmãos da banda) em 1999, enquanto esperava por um transplante de pulmão.
Em 2002, lançam o álbum ao vivo VH1 Presents: The Corrs, Live In Dublin, que conta com as participações de Bono Vox, do U2, e de Ron Wood, dos Rolling Stones. Bono, irlandês mais famoso do mundo da música, ainda estaria presente na vida dos Corrs mais duas vezes: em 2003, Andrea grava para a trilha sonora do filme "Cidade dos Sonhos" a música "Time Enough For Tears", escrita por Bono, Gavin Friday e Maurice Seezer - a canção foi indicada ao Globo de Ouro; em 2004, sai Borrowed Heaven, que tem a participação de Bono na música "When the Stars Go Blue", cuja versão original é do cantor de alt-country/rock Ryan Adams. Borrowed Heaven é um disco tão pop quanto In Blue, mas tem mais canções que são relevantes: desde o curto e direto primeiro single, "Summer Sunshine" - que remete a "Breathless" - passando pela lenta balada "Long Night", uma das músicas mais "calmas" que eles já fizeram, pela legalzinha "Goodbye" e chegando na melhor do disco, "Angel", feita em homenagem à mãe deles, com o refrão mais empolgante de todos.
Em 2005, a banda surpreendeu com Home, um álbum tradicional de música celta celebrando suas origens, com várias canções oriundas do repertório de sua mãe, que era cantora: a instrumental "Haste to the Wedding" e as belíssimas "Black Is The Colour" e "Heart Like a Wheel". Desde então, deram uma sumida, para cuidar de suas vidas pessoais. Em 2007, Andrea Corr ainda lançou um disco solo, Ten Feet High, no qual foge um pouco do que sua banda faz, mas não tanto assim a ponto de conquistar novos fãs: é pop-rock básico.
CD
1- Forgiven Not Forgotten
2- Runaway
3- Toss the Feathers
4- Only When I Sleep
5- Dreams
6- What Can I Do?
7- So Young
8- Queen Of Hollywood
9- Radio
10- At Your Side
11- Old Town
12- Breathless
13- All the Love in the World
14- Summer Sunshine
15- Angel
16- Long Night
17- Goodbye
18- Black Is The Colour
19- Heart Like a Wheel
20- Haste to the Wedding
Filmes no cinema #6 - "Dúvida"

O filme "Dúvida", dirigido por John Patrick Shanley, é baseado na peça "Doubt: A Parable", de 2004. A peça foi escrita por John Patrick Shanley, e o roteiro adaptado para o cinema também. Ficou em cartaz num teatro do circuito off-Broadway, em Nova Iorque, de novembro de 2004 a março de 2005, quando passou para um na Broadway, onde ficou até maio de 2006. Ganhou os prêmios Pulitzer, de melhor drama, e Tony, de melhor peça.
Nada mais natural, depois de tantos prêmios no teatro, que houvesse uma adaptação para o cinema. O escolhido para dirigi-la foi seu escritor, que tem pouquíssima experiência como diretor, tendo dirigido apenas um filme em sua carreira. Já ganhou um Oscar, pelo roteiro de "Feitiço da Lua". No entanto, cercado de atores do calibre de Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman, Shanley se sai muitíssimo bem e realiza um excelente e perturbador filme, que peca em algumas passagens que continuam me parecendo excessivamente teatrais, algumas tomadas e, principalmente, na cena final.
Streep, que pelo papel nesse filme conseguiu sua 15ª indicação ao Oscar (já era recordista, ampliou sua vantagem em 2009), é a irmã Aloysius, diretora de uma escola católica americana em 1964 (data que o filme faz questão de frisar, ao falar que "no ano passado ocorreu o assassinato do Kennedy"). Ela é rigidíssima, conservadora ao extremo. Mantém uma posição de vilã: os alunos têm muito, mas muito medo dela. E Meryl é perfeita em suas feições, olhares e gestos ao transmitir toda essa tirania. Hoffman, também indicado ao Oscar por sua performance, é o padre Flynn, que quer tornar o ensino na escola mais amigável, indo contra as opiniões e os princípios de irmã Aloysius. Para isso, acaba ficando mais próximo das crianças.
Irmã Aloysius, então, decide colocar a irmã James (vivida também magistralmente por Amy Adams, indicada justamente ao Oscar de coadjuvante, por ser a inocência e a angústia em pessoa), a freira mais jovem do colégio, para observar o padre Flynn e qualquer ato que ache estranho. Num dado momento, ocorre uma reunião reservada entre o padre e um garoto da turma de James, Donald Miller, o primeiro negro a estudar neste colégio em todos os tempos. A irmã James comunica o fato à irmã Aloysius, que então assume como verdade absoluta: o padre Flynn cometeu um ato de pedofilia (palavra nunca mencionada no filme). Não adianta o padre contra-argumentar, contar a "sua verdade", convencer a irmã James que ele está certo... Irmã Aloysius continua a persegui-lo.
Não há provas de um lado ou de outro, apenas a palavra, seja dos dois, seja de testemunhas que são duvidosas: alguém que viu o que o padre diz ser verdade, a mãe do garoto (Viola Davis, numa participação breve, mas impressionante, que gerou a quarta indicação ao Oscar 2009 para um membro do elenco do filme) fala alguns dados sobre ele que em vez de elucidar a questão a deixam mais turva ainda...E, no meio, a irmã James com dúvidas: ela fez certo em contar o que viu a irmã Aloysius? Quem fala a verdade: Aloysius ou Flynn?
O filme, com diálogos geniais - tanto pelo texto quanto pela interpretação - entre Streep e Adams, e entre Streep e Hoffman, mais as duas cenas de jantar entre as freiras - impagáveis e tensas, ao mesmo tempo! - mereceria nota 9,5, perdendo 0,5 pois alguns diálogos me soaram muito teatrais ainda. Só que o final é muito ruim, contradiz tudo o que foi visto antes: ao tomar a atitude que toma, irmã Aloysius desconstrói totalmente o histórico da sua personagem, numa tentativa de humanizá-la, aproximá-la do espectador, que até então tinha visto um ser quase irreal na tela. Uma cena desnecessária e comprometedora que quebra todo o "clima" do filme, que poderia terminar com mais dúvidas ainda na cabeça das pessoas, num final bem mais intrigante e pertubador do que esse que temos, o que me fez pensar: "Fiquei até o fim para ver...isso? Era melhor não ter visto, e não sabido que isso tinha acontecido".

